CHAPA QUENTE EM CAAPORÃ: Enquanto prefeito envia projeto com taxa salgada de 42% na previdência, professores reagem com Carta Aberta e exigem rateio de R$ 10 milhões do Fundeb

31 maio 2026 - Destaque

O clima político e sindical em Caaporã atingiu o ponto de fervura nesta semana. De um lado, o prefeito Francisco Nazário de Oliveira tenta aprovar, em regime de urgência na Câmara Municipal, um Projeto de Lei Complementar que revela um rombo previdenciário de mais de R$ 330 milhões e cria uma alíquota suplementar que pode sufocar as finanças da cidade. Do outro, os professores da rede municipal decidiram quebrar o silêncio e divulgaram uma contundente Carta Aberta cobrando empatia, dignidade e o rateio de recursos que estariam “sobrando” na conta da educação.

​O embate coloca em lados opostos a frieza dos cálculos atuariais da prefeitura e o desabafo humano de uma categoria que afirma estar adoecendo em salas de aula lotadas e sem estrutura.

​O Rombo Milionário e a Conta Pesada para o Magistério

​O projeto enviado pelo Poder Executivo expõe uma realidade fiscal alarmante. Para tentar equilibrar o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e não perder o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) — o que congelaria os repasses federais para Caaporã —, o prefeito propõe um plano de amortização duro que se estende até o ano de 2056.

​A maior polêmica financeira recai sobre os ombros dos professores. O déficit atuarial da ala do Magistério está calculado em R$ 78,9 milhões. Para cobrir esse buraco, a prefeitura quer aplicar uma Alíquota Suplementar Patronal que começa em 30% em 2026 e sobe progressivamente até atingir impressionantes 42% a partir de 2034. Na prática, somando isso à contribuição normal de 22%, o custo previdenciário de cada educador vai ultrapassar 60% além do seu salário, gerando um impacto brutal que, por lei, entra no limite de Gastos com Pessoal do município.

​A Reação dos Professores: Carta Aberta Toca em Feridas Familiares do Prefeito

​A resposta dos educadores veio em tom de desabafo e protesto. Em uma Carta Aberta que circula nas redes sociais, um professor da rede municipal — representando o sentimento da categoria — rebateu duramente as declarações de bastidores de que os docentes “já ganham muito dinheiro” e precisam contribuir mais.

​Em um dos trechos mais polêmicos e pessoais do documento, o texto apela diretamente para a vida familiar do prefeito Chico Nazário, questionando se o gestor esqueceu a realidade da profissão vivida dentro de casa:

“Perguntamos, com todo respeito: será que Vossa Excelência desconhece tudo o que sua esposa, a primeira-dama, e suas cunhadas — que conhecem a realidade da educação — já presenciaram e enfrentaram dentro de uma sala de aula? Elas sabem das dificuldades, da sobrecarga, da pressão emocional, do desgaste psicológico e da responsabilidade que um professor carrega diariamente.”

 

​O manifesto relata um cenário de adoecimento em massa na rede de ensino de Caaporã, com profissionais sofrendo de ansiedade, depressão, exaustão emocional e burnout devido a salas lotadas e falta de condições dignas de trabalho.

​O Dinheiro do Fundeb: Valorização ou Cobertura de Buraco?

​A grande queda de braço que deve parar na Câmara Municipal gira em torno do dinheiro em caixa. Enquanto o projeto do prefeito tenta reorganizar as finanças para sanar a previdência, a Carta Aberta dos professores denuncia que existem aproximadamente R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) parados na conta do FUNDEB do município.

​Os professores exigem que a prefeitura cumpra a destinação legal de, no mínimo, 70% dos recursos do fundo para a remuneração e valorização dos profissionais da educação básica em efetivo exercício, aplicando o restante (30%) em manutenção e infraestrutura escolar. A categoria cobra explicitamente que esse montante milionário seja dividido em forma de rateio (abono) até o final do ano, como ocorre em outros municípios.

​O Impasse Político

​A situação em Caaporã agora é um jogo de xadrez de alta pressão. Se o prefeito pressionar a aprovação da alíquota suplementar de até 42% sem abrir canal de diálogo e auditoria com os servidores, enfrentará uma crise política sem precedentes com o funcionalismo público em pleno ano legislativo. Se não aprovar, quebra a cidade por falta de certidões federais.

​O que a população e os servidores querem saber agora é: para onde vai o dinheiro de Caaporã? O dinheiro do Fundeb será usado para valorizar quem está no chão da escola ou a prefeitura vai continuar empurrando o rombo previdenciário com a barriga à custa do sacrifício dos professores?