Médico preso após denúncias de assédio contra pacientes em Caaporã é filho de ex-prefeito e acumulava elogios da população

5 nov 2026 - Destaque

Preso em flagrante na tarde desta quarta-feira (4), suspeito de praticar atos de natureza sexual contra pacientes durante consultas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba, o médico Carlos Aurélio Silva Torquato Neto, de 32 anos, é filho do ex-prefeito do município, Dr. Carlos Alberto, também médico e conhecido por sua trajetória na saúde e na política local.

Carlos Aurélio atuava na Unidade de Saúde da Família (USF) Piquete, na zona rural de Caaporã, onde recebia elogios de pacientes pelo atendimento prestado.  Nas redes sociais, o profissional compartilhava sua rotina de trabalho, conquistas e homenagens, reunindo manifestações de carinho e reconhecimento da população.

Em dezembro de 2025, o médico chegou a comemorar publicamente a marca de 9.500 atendimentos realizados naquele ano. Na publicação, afirmou ter alcançado, pelo segundo ano consecutivo, um recorde de produtividade médica, apresentando-se como o profissional com o maior número de atendimentos registrados em uma unidade básica de saúde, segundo os números divulgados por ele.

O reconhecimento também aparecia em homenagens recebidas ao longo de sua atuação profissional. Em dezembro de 2024, Carlos Aurélio destacou uma moção de aplausos concedida pela Câmara Municipal pelos serviços prestados na UBS de Cupissura II. Na ocasião, agradeceu à equipe de trabalho, aos familiares e aos pacientes, ressaltando sua dedicação à medicina de família e comunidade.

A notícia da prisão surpreendeu moradores de Caaporã, especialmente pelo histórico de elogios ao atendimento do profissional e por sua ligação com uma família conhecida no município. Além de ser filho do ex-prefeito Dr. Carlos Alberto, médico ginecologista e obstetra, Carlos Aurélio integra uma família com outros profissionais da área da saúde.

Apesar da imagem pública de reconhecimento profissional, o médico passou a ser investigado após denúncias apresentadas por duas pacientes, de 20 e 44 anos, que relataram situações de natureza sexual durante atendimentos na unidade de saúde.

Segundo a Polícia Civil, a primeira denunciante afirmou ter sido submetida a toques e manipulações íntimas sem finalidade médica, além de questionamentos de cunho sexual. Durante as diligências, uma segunda mulher procurou a polícia e relatou uma situação semelhante.

Além dos depoimentos das pacientes, funcionários da unidade de saúde também foram ouvidos e relataram comportamentos inadequados e situações de constrangimento atribuídas ao profissional, informações que passaram a integrar a investigação.

Em depoimento, Carlos Aurélio negou a conotação sexual das condutas denunciadas e alegou que os procedimentos realizados tinham finalidade exclusivamente médica. Ele foi autuado, em tese, pelo crime de violação sexual mediante fraude, previsto no artigo 215 do Código Penal.

O profissional permanecia à disposição da Justiça, com audiência de custódia prevista para esta quinta-feira (5).

A Prefeitura de Caaporã, por meio de sua Procuradoria Jurídica, deverá se posicionar sobre a situação funcional do médico e possíveis medidas administrativas diante das denúncias.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que também apura a possibilidade de outras pacientes terem passado por situações semelhantes. As acusações ainda dependem de apuração, sendo assegurados ao investigado o direito de defesa e a presunção de inocência.

 

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